27 junho, 2008

A Tela de Pintura


As lojas de materiais artísticos vendem telas de vários estilos. São comuns: As pranchas de chapas duras feitas com fibras de celulose prensadas e as pranchas de papelão, ambas forradas com tecidos, sobre as quais imprime uma película - o complemento do suporte para a pintura; são ideais para pequenas dimensões. As telas armadas em chassi de madeira abrange todos os tamanhos.

A tela para pintura é um tecido que recebe o um preparado especial – o Primer. São varias formulas desse produto que é aplicado só em um dos lados da fazenda. Depois é prendida no suporte rígido ou no quadro armado de madeira. O lado interno ou a parte de trás da tela será sempre o tecido cru, sem a película base. O lado com a película é a superfície exposta, com “imprimação”, sobre a qual aplica a camada pictórica. Algumas lojas vendem as telas de algodão a metro direto do rolo, fica ao encargo do comprador improvisar o seu chassi. Todo artista, conhece a qualidade das telas de algodão e onde difere a característica das telas de linho, alguns, preferem fazer as suas próprias telas com inovações, lançando tecidos sintéticos.

No meu caso, gosto de pintar com pastéis oleosos direto sobre tela preparada de tecido sintético – o cetim. A trama é bem delicada, fechada, sem nós, a imprimação fica bem lisa e flexível. Não têm a mesma permeabilidade dos papéis para aquarela e os papéis para pastéis. Esticado sobre uma prancha rígida, torna-se um suporte pratico e econômico para trabalhar com os pastéis oleosos da melhor qualidade.
Tela preparada de tecido sintético para pastél oleoso.
Título:
"Prelúdio do Ego". Detalhe da tela de tecido sintético esticada no suporte rigido para trabalho em pastél oleoso.

O tecido da tela pode ser de linho, algodão, camanho ou juta, com tramas variadas, que podem ser marcantes, grosseiras, bem elaboradas, superfícies resvaladias ou suaves de tão fechadas. Nas lojas, são comuns as telas de algodão com tramas em médias, entre 14 e 16 fios dispostos em um centímetro retilíneo. Os chassis são diversificados em tamanhos e espessuras, com enorme variação de preço.

As telas diferem na durabilidade, uniformidade, elasticidade e densidade da trama do tecido.

A tela de linho esticada no chassi conserva-se bem tencionada, é mais durável que a de algodão e, apresenta uma textura uniforme, livre de nós. Ideal, para quem está pintando uma obra para a posteridade. O inconveniente é o preço relativamente mais alto.

As telas de algodão custam bem menos que as telas de linho e, são bons suportes para a pintura. As telas de textura mais fechada esticam muito bem e oferecem superfícies bem uniformes para executar a pintura..

A tela colada em prancha rígida é ótimo recurso para trabalhos experimentais. É o mais econômico e adequado para trabalhar ao ar livre, por ser leve e compacto, torna-se cômodo para o transporte.

Obs.: Alguns estojos de madeira para o material de pintura, já são elaborados para comportar alguns desses painéis de 40cm X 30cm.

A superfície consistente desse painel facilita os ensaios e o trabalho do iniciante na pintura. O inconveniente, é que empena com facilidade quando recebe muita umidade ou a variação de umidade por setores sobre o suporte.

As telas montadas em chassi são esticadas sobre uma armação de sarrafos de madeira, a estrutura já é projetada para suportar a malha estirada de algodão ou de linho. Estes sarrafos de madeira são tensores com as pontas cortadas, normalmente, em 45º, que se unem por encaixe de cunhas, pregos ou grampos para sustentar os quatro ângulos de 90º do quadro. A superfície da tela é tensa, mas permite certa flexibilidade que a torna a melhor opção ao manuseio dos pincéis.

A grossura dos fios de algodão ou de linho determina qual o tipo de trama do tecido. A imprimação sobre o tipo de tecido define: trama grossa – a imprimação terá textura grossa; trama média – a imprimação terá textura média; trama fina – a imprimação terá textura fina. A escolha de uma tela de textura fina, média ou áspera depende, sobretudo, do estilo de apresentar o tema.

A tela de textura grossa – ideal para trabalhar com pinceladas pesadas, manifestará os traços com linhas pouco definidas, esse tipo de tela é próprio para os trabalhos abstratos e paisagens, que não precisam formar balizas entre figuras ou cores. A tela de textura grossa torna evidente o estilo marcante de pinceladas vigorosas em que não precisa determinar a silhueta da figura com o fundo.

A imprimação.

Existem diversos tipos de “primers” para aplicar sobre o tecido esticado – base para preparação de telas. Alguns deles só podem ser aplicados sobre superfícies rígidas, outros preparados, favorecem certos tipos de tintas. Cada um apresenta vantagens e desvantagens, como: o tempo de secagem; textura da superfície; durabilidade e versatilidade. No entanto, depois de escolher a tinta e o tipo de suporte, tornar-se-á fácil apropriar a melhor imprimação.

Alguns pintores preferem trabalhar direto sobre a textura crua. Naturalmente, os fios do tecido absorvem a tinta; não isolar o tecido da oxidação e da reação química, a tela passará através do tempo pelo processo de apodrecimento. O aglutinante depois de seco e impregnado na fibra do fio fixa também os pigmentos coloridos, que procede, das calcinações de materiais, dos óxidos metálicos, das terras e em alguns casos orgânicos. Sabemos que as estruturas materiais dilatam e contraem com a modificação de temperatura. Fica fácil definir, a tinta resseca continuamente e aparece o fendilhamento – entranhado no fio.

Surgem fissuras microscópicas, a dinâmica das propriedades descritas com a variação de umidade, pressão atmosférica e a própria luz, cursa no tempo provocando alterações nas fibras, para abrigar fungos e culturas de bactérias que levam o tecido à decomposição.

De qualquer forma incide as conseqüências do tempo sobre a tela pintada. É melhor preparar o suporte, porque a imprimação veda a superfície de forma que a tinta não penetre nas fibras, o que é fundamental para pintura em tela. Essa película de “primer” permite obter uma face adequada ao trabalho; por estar aderida apenas a um lado – o lado inverso está isolado da imprimação e livre para transpirar. Acredite, facilita o trabalho dos futuros restauradores.

A imprimação branca sobre o pano proporciona uma superfície melhor para se trabalhar do que uma com fundo escuro. Normalmente, a tinta a óleo tem uma tendência para o escurecimento e com o tempo adquire translucidez. Uma base escura destacaria essa convergência negativa do trabalho terminado em óleo – a condição da pintura ainda fresca, ao contraste dos tempos e o efeito de escurecimento e translucidez após algumas décadas. O fundo branco ameniza essas disposições inconvenientes que ocorre no quadro ao longo do tempo.

O gesso acrílico

A imprimação com gesso acrílico é ótima escolha para as texturas e delineamentos rápidos. A maioria das tintas adere muito bem ao suporte preparado com gesso acrílico. É um produto fácil de trabalhar, seca em trinta minutos. A versatilidade deste primer torna-o apropriado à preparação de qualquer base. Entretanto, não pode ser aplicada sobre imprimação à base de cola, uma vez que os dois materiais são incompatíveis.

Para preparar uma superfície lisa com gesso acrílico, a imprimação deve ser bem diluída com água, na consistência leitosa, basta aplicar três camadas com pincel largo, uma demão na horizontal, após a secagem, repetir outra camada em sentido vertical, até o ponto de cobertura perfeita para ser lixada. Ao preparar bases lisas, deve ter o cuidado para o “primer” não ficar muito grosso, porque favorece o surgimento de rachaduras.

Uma superfície áspera ou com frisos, demanda gesso acrílico sem diluição. Para fazer os relevos basta a criatividade, e os acessórios: rolos, espátulas, réguas, pentes, escovas, esponjas, etc., ou o próprio pincel, para alcançar a forma pretendida. Obs.: Neste caso, independe o tipo de trama do tecido.

O inconveniente do gesso acrílico é a disposição de tornar as cores apagadas. É um material que se tornou comum. Todos os artistas que utilizam, principalmente para os relevos em telas, não podem garantir seu comportamento a longo prazo, mas tudo indica que tem uma expectativa positiva de longevidade.

O “primer” para trabalho em óleo sobre tela.

A imprimação a óleo é a mais confiável. Por conter óleo de linhaça, continua flexível e elástico. Mas, como o primer a óleo tem a tendência a amarelar, deve acelerar a oxidação com exposição à plena luz. Um local com pouca luz, o processo de secagem é mais lento e não homogêneo.

Um ótimo “primer” caseiro a óleo de linhaça para uma tela de 90cm X 120cm.

Misture 300ml de terebintina com 60ml de óleo de linhaça – a proporção deve estar em torno de 5/1 ou 6/1. Junte 120ml de tinta a óleo branco de prata, agitar bem para que a mistura fique bem cremosa. A mistura estará em torno de 480ml, para aplicar três camadas finas entre intervalos de 24 horas. Condicionar a mistura primer em um vasilhame com tampa em condição de ser bem vedado para evitar a evaporação do solvente. Para proteger a tela, pode juntar 05ml ou 20ml de Eugenol (óleo de cravo) à mistura, alem de anti-séptico, é um solvente que retarda mais a secagem, o intervalo entre as camadas “finas aplicadas” deve ser de três dias, secadas no tempo. Então terá uma tela pronta ou para esticar em uma armação depois de nove dias. Munido de paciência ou urgência, o ar quente de um secador de cabelos ou um soprador de ar quente profissional, acelera o tempo de secagem, com cuidado, à distância apropriada da tela para não romper a cobertura entre os fios e cozinhar a imprimação. Deve evitar a mistura de secantes, principalmente em pó, porque deixa a tela mais propensa ao fendilhamento. Se optar por aguarrás no lugar da terebintina, a secagem prolonga um pouco mais. Já usei gasolina, no lugar da terebintina para tela muito grande, mancha levemente a base branca e o cheiro é bem desconfortável, muito mais que os solventes anteriores descritos.

Observação: O branco de prata é feito com carbonato de chumbo e forma uma tinta consistente e cremosa o suficiente para se removido do tubo, sem dificuldade. É ricamente branca, muito opaca e com alto poder de cobertura. Seca muito rápida e é ideal para pintar fundo. Por conter chumbo, a tinta deve ser manipulada com cuidado.

Se quiser uma obra em óleo para a posteridade e estiver disposto a encarar o ritual de uma paciente e trabalhosa imprimação. Deve usar o linho, em vez do algodão cru, porque existem boas telas de algodão prontas no mercado. É difícil encontrar tecido de linho cru, então, de preferência ao tecido de linho branco ou uma cor clara, deve ser lavada para retirar a goma coligada no processo de industrialização Depois de seco, esticar o tecido em um quadro provisório. Exemplo: quero trabalhar uma série de quadros de 90cm X 120cm, para essa série faço uma armação (outro quadro com dimensões maiores), com uns dez centímetros a mais que os quadros da série. Nesta armação de 1m X 1,30m será esticado o tecido para receber as camadas de imprimação, por ser maior que a definitiva, a textura será uniforme nas bordas e cantos, quando a tela for transferida para a estrutura determinante. A aplicação do primer deve ser controlada para ter uma boa cobertura sem marcas, excessos localizados sobre o tecido. Alcançado o ponto correto de uniformidade, depois de seco desprego o que é agora a tela e grampeio no chassi definitivo de 90cm X 120cm tomando cuidado ao esticar para não ficar fora do esquadro. As sobras de 10cm facilitam a ação de retesar a manta imprimida no quadro definitivo.

Imprimações:

À base de óleo, contem chumbo, óleo e thinner. É liquido e vendido em latas de 250ml. Podem ser aplicado em suportes de madeiras, pranchas e telas. Destina-se a pintura a óleo ou alquidica. As telas devem ser preparadas com antecedência – um dia cada camada; no mínimo um mês antes de usar. Número de camadas – duas a três camadas. A superfície resultante é fosca com um pouco de dente. A vantagem, bem flexível e fácil de aplicar – dificilmente trinca; a desvantagem é que seca devagar e pode amarelar.

Gesso acrílico, contém pigmento branco e resina acrílica (à base de água). É liquido, vendido em potes de 250 e 500ml. Podem ser aplicado em suportes de madeiras, pranchas e telas. Destina-se a pintura acrílica, alquidica e óleo. Não precisa ser preparada com antecedência. Cada camada seca em 30 minutos; é mais seguro começar a trabalhar no dia segunte. Primeiro deve ser aplicado três camadas finas, sobre essas as outras normais. Dependendo do estilo, podem ser lixados, desenhado com sulcos na textura, relevos, etc. A superfície resultante é fosca e a textura depende da espessura do gesso acrílico. Não amarela, possibilita formar diversas texturas. O resultado a longo prazo é desconhecido.

Gesso comum moído com cola a base de água. É vendido em sacos de 1kg pronto para ser fundido – depois da reação de endurecimento triturar enquanto úmido, deixar secar ao sol. Triturar mais e passar por uma peneira bem fina para conseguir o pó adequado para misturar com a cola. A cola comum é a de PVA, mas a que mais é usada é a cola de pele de coelho ou animal. São pequenas placas rígidas que tem que ser derretidas com água em banho-maria, pode ser encontrado em casas de ferragens. O suporte a que se destinam é o rígido – madeira. Ideal para trabalhar com têmpera, ovos ou caseína. Deve ser preparado com antecedência. O tempo de secagem é de 30 minutos para cada camada, somente, trabalhar depois de 24 horas. O número de camadas é de seis a oito mãos. Pode ser lixado, fica extremamente lisa, ideal para trabalhos detalhados. È um suporte muito barato, porém, deve ser preparado e aplicado com muito cuidado.

Painel de madeira compensado, duratex ou mdf. Tinta a base de óleo em latas de 250ml, aplicar sobre o painel, depois de seca lixar para ficar bem lisa. Deve ser preparado com antecedência com duas ou três camadas, seca rápida e espalha fácil, o tempo de secagem de cada camada é de 3 horas. A desvantagem é que só serve para pintar com a tinta a óleo.




Achei interessante essa tinta acrílica e parti para a experiência. Foram aplicadas três mãos deste produto da Metalatex sobre uma tela de algodão, sem diluição em água ou acréscimo de cola PVA ou cola de origem animal, apresentou uma elasticidade aceitável. Quando não conhecemos um material, é o mesmo que andar tateando no escuro, analisei varias formulas mirabolantes de primers caseiros para confecção de telas e nenhuma delas continha como carga o carbonato de cálcio e silicato de alumínio. A tela preparada está exposta direta à luz solar sem camada pictórica, abandonada no tórrido telhado de seca e baixa umidade do cerrado do Planalto Central. Vamos ver o comportamento da imprimação e do tecido.

Espero que sirva para suas pesquisas.



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4 comentários:

Ana disse...

PARABENS PELA MATÉRIA!!! Não serve apenas para pesquisa como é uma verdadeira aula. Muito obrigada! Estou dando meus primeiros passos no mundo da arte. Como estou meio perdida na descoberta de tantas técnicas, estou em fase de experiência testando uma e outra ou mesmo testando tecnicas mistas. Alguns resultados me surpreendem. Ana Júlia Fortaleza - Ce

Larissa Tollstadius disse...

Eu estou pesquisando na internet e até agora não achei a resposta para uma pergunta minha.

Se você poder me ajudar será ótimo!

Depois de pintada a tela, eu posso tirar o tecido da estrutura de madeira para facilitar o transporte?

Desde já obrigada!

Larissa Tollstadius disse...

*se você puder

Samantha disse...

Olá
Tudo bem?
Obrigada pelo texto, muito elucidativo.
Somente uma dúvida: estou fazendo textes com outros materias, outros tecidos com texturas e cores e quero manter a cor e a textura do tecido, o que nesse caso me impede de usar o branco. O que você recomendaria, nesse caso, para preparar o tecido?
Bjs e obrigada!